sábado, 18 de fevereiro de 2012

Capítulo 1

Seattle
2012

Levar a roupa à lavandaria, almoço com a mãe, levar o Tobias a passear, entregar o artigo em atraso… Tanta coisa e tão pouco tempo!
Como é possível alguém que vive sozinho conseguir tomar conta de tanta coisa? Só ela mesmo, Laura Preston. Filha exemplar, jornalista famosa, apaixonada por moda e com uma queda para os homens errados. Talvez essa parte não fosse tão importante para ela neste momento da sua vida. Tinha a particularidade de não se apaixonar. “Uma coisa de personalidade”, era a desculpa que dava a si própria por não conseguir criar laços com alguém do sexo oposto que durassem mais que alguns meses. Só mesmo com o seu fiel amigo Tobias, e ainda esse, por vezes conseguia ser o cabo dos trabalhos. Mas estava sempre lá, sem se queixar e a ouvir os seus desvaneios com a melhor cara, e percebia sempre quando ela precisava de carinho ou apenas de espaço.
Mas naquela manha ela precisava apenas de um café, para acordar de vez. Estava mesmo a precisar de férias, de tudo, do trabalho, da cidade, enfim da sua vida.
 - Tobias, agora tenho de sair, vais ser um bom menino e vais te portar bem, não vais? Não posso continuar a deixar-te aqui na varanda sozinho, tenho mesmo de arranjar quem tome conta de ti… Ai senhor, já é tão tarde!
Olhou em volta do seu apartamento. Era simples mas funcional. Laura era uma mulher organizada e por isso tinha sempre tudo impecavelmente arrumado, apenas umas revistas ou umas folhas fora do lugar, mas não mais que isso. A casa tinha bastantes cores, mas não demasiadas, estava decorada a seu gosto. Algumas paredes brancas, outras vermelhas, outras amarelas, tinha bastantes quadros e fotografias de família. Era uma mulher que prezava a sua família. Sempre tiveram uma boa relação e sempre foram muito chegados, talvez por isso quando Laura se decidiu a sair de casa e a morar sozinha, os pais ficaram muito nervosos e todos os dias lhe telefonavam ou visitavam levando imensa comida para que ela nunca passa-se fome.
Fechou a porta e saio.
Passou pela lavandaria como fazia todas as quartas-feiras de manha, para deixar a roupa que a D. Melissa tomaria conta. Melissa era como uma segunda mãe para ela. Ajudou-a sempre que ela precisava, quer com os seus maravilhosos cozinhados que fazia questão de partilhar com Laura, quer com os seus concelhos de mulher vivida. Ela tinha um grande carinho por Melissa e sempre que podia ajudava-a também.
 - Bom dia D. Mel!
 - Oh! Olá menina Laura, nem a reconhecia hoje, a cada semana que passa cresce mais! Está muito bonita, tem alguma festa?
 - Não, mas tenho uma conferência de imprensa e um desfile para assistir e logo depois tenho de ir almoçar com a minha mãe.
 - Ai tantos compromissos em tão pouco tempo! Já comeu alguma coisa hoje? Está com um ar muito magrinho, venha para dentro que eu acabei mesmo agora de fazer café e umas torradas do outro mundo!
Assim que Melissa acabou de falar, Laura percebeu que o seu estômago tinha acabado de se queixar. Com a pressa de sair de casa, tinha-se esquecido de tomar o pequeno-almoço. Olhou para o relógio e ainda ponderou em sair e aceitar a oferta, mas não podia se atrasar mais, a fome teria de esperar para outra altura.
 - Obrigada D. Mel, mas já comi, estou cheia, da próxima vez. Agora tenho de ir, já estou atrasada. Fique bem.
 - A menina diz sempre o mesmo, mas eu sei sempre quando alguém não me está a dizer a verdade! Para a próxima não a deixo sair daqui até que se alimente como deve de ser. Tenha um bom dia.
Laura à muito que perdera o hábito de tomar um pequeno-almoço completo. Como andava sempre a correr o máximo que comia era um pão e uma caneca de café. Melissa sempre sabia quando alguém lhe mentia e sempre que Laura passava por lá, ela fazia questão de a convidar para comer pois temia que um dia ela tivesse algum problema grave e isso, para ela, era a pior coisa que lhe podia acontecer, Laura era a filha que ela nunca teve.

Marina Pinho

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